PROPÓSITOS QUE NÃO SÃO NADA DESPROPOSITADOS NESTES DIAS…
Propósitos novos e renovações incandescentes de fé e de harmonia – é assim que acredito na vida. Ou melhor, é desta forma que sinto que nos possamos tornar melhores pessoas e mais capazes de fazer face aos desafios diários; aqueles que nos chegam de mansinho e que põem em evidência a nossa capacidade altruísta de luta e de conquista.
A época festiva que teve ponto alto nestes dias (ainda que, repito, os propósitos se devam manter tempo fora) foi para todos os crentes um “acontecimento maior”. A Páscoa é, num sentido simples e sem grandes explicações, a certeza de que o amor também se renova e permite a cada um de nós um novo recomeço – pautado por princípios de integridade, de solidariedade, de dinamismo, de esperança e, acima de tudo, numa lógica de perdão e de gratuidade que, mesmo que às vezes nos custe a entender, pauta a vida dos seres humanos. Somos, efetivamente, capazes de amar mais do que aquilo que pensamos; pensar mais do que aquilo que sonhamos e agir melhor do que os muros que suplantam tantas e tantas barreiras. É de vida que a Páscoa se reveste, porém, não é de uma “vida ao acaso”; é, antes de mais, uma vida que tem de ser vivida no seu esplendor e mediante as potencialidades e as capacidades de cada um.
Neste sentido e ainda numa fase de introspeção e de revitalização, é importante que todos, crentes e não crentes, saibamos aproveitar o silêncio para garantir aos outros e a nós próprios que:
- A ESSÊNCIA DAQUILO QUE NOS RODEIA É UM DOM – numa visão mais integrada e versátil, temos de nos consciencializar de que a singularidade de cada ser humano só permite que sejamos luz e esperança para quem nos rodeia quando vivemos de olhos abertos para o horizonte que nos cerca. A vida não é alegria constante nem ferida permanente; é, talvez, a visão que depositamos, com esperança, em cada acontecimento.
- A HUMILDADE PODE CURAR – ser humilde não é um “sim obediente” nem um olhar acrítico perante o que nos rodeia. É, pois, estar à frente dos desafios com confiança, com espírito livre e liberto de analogias fúteis. Ser humilde é uma arma ao serviço dos fortes, pois só desta forma é que se travam as maiores batalhas. Ser humilde não é “remoer”; é acreditar que na verdade dos gestos reside a paz interior.
- OS OUTROS PODEM SER MELHORES – confiarmos nas nossas capacidades multiplica-nos a coragem e a audácia, porém, é fulcral que nos lembremos que os outros podem ser tão bons ou melhores do que nós; e isso não nos menospreza nem nos enfraquece – deve, verdadeiramente, servir-nos de rampa para refletirmos onde é que podemos melhorar, o que poderemos vir a ser ou, simplesmente, aceitar que a individualidade abarca os talentos de cada um que, quando juntos e em cooperação, resultam num forte trabalho de equipa.
- SÓ DEVEMOS DIZER AOS OUTROS AQUILO QUE SENTIMOS QUE ELES PODEM E CONSEGUEM ENTENDER – e viver a vida com esta máxima não é sinal de “sermos maiores”, mas sim de sermos justos connosco. Pensar antes de falar; agir com ponderação e refletir se aquilo que nos rodeia pode, ou não, magoar quem nos ouve é uma grande necessidade nos dias de hoje. Às vezes “saber calar” é tão eloquente e mais benéfico do que fazer “barulho” na vida alheia. É que tudo o que é a mais e despropositado de sentido apenas nos enfraquece.
E pensar nisto tudo também é Páscoa. E não sintam que o tema desta crónica está fora de tempo. É que se o Natal pode ser quando o homem quiser, a Páscoa pode permanecer enquanto aceitarmos o perdão, a renovação e os trilhos a percorrer como brilho e caminho.




